
As possíveis pegadas de tartarugas em Monte Cònero, Itália
Paulo Sandroni
Impressões estranhas numa superfície rochosa em Itália podem ter sido deixadas por uma debandada de tartarugas marinhas perturbada por um terramoto há cerca de 83 milhões de anos.
Alpinistas descobriram as características incomuns em uma área proibida ao público nas encostas do Monte Cònero, na costa leste da Itália.
São mais de 1.000 gravuras em dois locais – um a mais de 100 metros acima do oceano e uma segunda plataforma que caiu na praia de La Vela. Essas rochas consistem em calcário formado a partir de sedimentos finos em um fundo marinho raso no período Cretáceo.
Os alpinistas tiraram fotos que mais tarde foram mostradas aos Alessandro Montanari no Observatório Geológico de Coldigioco na Itália e seus colegas. Os cientistas obtiveram então permissão dos gestores do Parque Regional Cònero para fazer o levantamento da área a pé e com drones.
Montanari diz que é impossível ter certeza de quais animais fizeram as marcações, mas apenas dois grupos de vertebrados habitavam os oceanos na época – peixes e répteis marinhos. A equipe descartou peixes, plesiossauros e mosassauros, deixando as tartarugas marinhas como os candidatos mais prováveis.
Como o fundo do mar é um ambiente tão dinâmico e suave, para que as impressões fossem preservadas, elas teriam que ser enterradas quase instantaneamente depois de terem sido feitas – o que poderia ter acontecido durante um terremoto.
“(Pode ter sido) um forte terremoto, que assustou esses pobres animais que viviam pacificamente no ambiente de águas rasas, rico em nutrientes”, diz Montanari.
“Todos eles nadam em pânico em direção ao mar aberto, a oeste do recife, e alguns deles alcançaram o fundo do mar lamacento, deixando suas pegadas de remo.”
No entanto, a debandada das tartarugas marinhas é apenas uma hipótese e a equipa espera agora envolver icnólogos especialistas, que estudam vestígios de fósseis, como rastos, para a próxima fase da investigação.
Antonio Romílio da Universidade de Queensland, na Austrália, diz que se as marcas fossem vestígios de tartarugas marinhas, seriam “facilmente as mais numerosas do mundo”.
Porém, sem ter visitado o local ou visto imagens de alta qualidade, ele duvida que as impressões tenham sido feitas por tartarugas marinhas. “As marcas na superfície não mostram o espaçamento, o ritmo ou a anatomia esperados dos movimentos das nadadeiras das tartarugas marinhas”, diz ele. “Sou de opinião que não são de origem biológica, mas sim estruturas abióticas.”
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