
Um grupo de vendedores ambulantes realizou, na tarde desta terça-feira (23) mais um protesto em Salvador para denunciar dificuldades na obtenção de licenças para trabalhar nas festas populares da capital baiana. Segundo os trabalhadores, muitos que atuaram legalmente em anos anteriores ficaram de fora neste ano, enquanto autorizações estariam sendo revendidas de forma irregular.
De acordo com os ambulantes, a situação tem impedido dezenas de famílias de garantir renda durante eventos tradicionais, como o Carnaval e outras festas populares. Alguns relatam que estão há dias tentando conseguir uma licença junto à Semop, sem sucesso.
“Eu trabalho há 40 anos como ambulante nas festas populares. No ano passado consegui a licença normalmente, mas este ano não consegui. Estamos aqui pedindo, com respeito, que olhem pela gente”, afirmou uma vendedora durante o protesto.
Ainda segundo os trabalhadores, há denúncias de que pessoas que conseguiram autorização estariam revendendo as licenças por valores que variam entre R$ 500 e R$ 3 mil, prática considerada irregular. “A Semop não cobra nada pela licença, mas tem gente que tira e não vai trabalhar, vende por R$ 1.500, R$ 2 mil, até R$ 3 mil”, relatou outro ambulante.
O grupo também questiona a convocação de pessoas da lista de reserva. Segundo os manifestantes, nem todos os chamados compareceram para retirar as licenças, enquanto vendedores experientes ficaram de fora. “Chamaram cerca de 60 pessoas, mas aqui não tem nem 20. A maioria de nós trabalhou no ano passado e agora ficou sem”, disse um dos representantes do grupo.
Os ambulantes afirmam que não são contra a organização das festas, mas defendem que o direito ao trabalho seja garantido a quem realmente pretende atuar nos eventos. “Se a pessoa não quer trabalhar, que a vaga seja dada a quem quer”, resumiu uma manifestante.
Procurada, a Semop ainda não se manifestou sobre as denúncias até a última atualização desta reportagem.
